De volta das férias.
Sabem que esse poema do Domeneck já estava musicado, mas tinha um erro na pronúncia do nome do cara. Coisa que ele me explicou, mas que eu entendi in loco durante as férias. É Doméneck. Como o arquiteto modernista catalão Lluís Domènech. Bom proveito e fiquem ligados nos próximos poemas.
brilha brilha entrelinha
brilha pra quem quer ouvir
brilha e ofusca o que está a vista
brilha os olhos de quem busca
brilha só pra quem for digno
e decentemente letrado
se já traduziu um livro
ou se já foi exilado, melhor
brilha também pro crítico
da revista semanal
brilha estrela decadente
até o final dos tempos
pros pastorinhos de fátima
pros merecedores de fato
das minhas
tortas
linhas
Eu não quero nada, não, noel
Eu não quero nada
Tá bom eu quero que o mundo exploda
Eu não fui um bom garoto
Tudo me irrita,
especialmente os arrotos
da classe média na mesa de natal
sabe, noel, eu ando meio apático
não consigo mudar o mundo
eu ando nada sintético
meus sermões tem durado muito
eu ando por caminhos escuros
eu não escuto mais, só falo
e quem me ouve é meu cachorro astuto
que só quer a parte dele em ração
eu não, noel
não quero nada nesse natal
quando vejo propagandas com guirlandas
eu passo mal
panetones de chocolate
tem muita gordura trans
eu odeio essa festa
eu e meu cachorro, a gente detesta
esssa farsa
do carnaval a gente foge
dia dos namorados a gente finge
mas o natal não
ele é infalível como a morte
noel
fique aí no polo norte
ponha fogo
nesse monte de papel
achei read more
on Largo ma non tanto